O
Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil deve continuar
crescendo neste ano e no próximo num ritmo superior ao da economia em
geral, apesar da deterioração do cenário mundial. Projeções do Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP)
divulgadas ontem indicam que o PIB da construção civil deve aumentar
4,8%, ante um acréscimo de 3% da economia. Para 2012, a estimativa é que
o PIB geral cresça 3,5% e o da construção civil tenha uma acréscimo de
5,2%.
Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
anunciou que o PIB da construção civil do terceiro trimestre cresceu
apenas 0,2% ante o segundo trimestre, descontadas as influências
sazonais. Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, a alta foi de
3,8%. “Esse resultado está subestimado”, afirmou Ana Maria Castelo,
economista da FGV Projetos e responsável pela análise econômica do setor
feita pelo Sinduscon-SP. Ela explica que o IBGE projeta o PIB da
construção com base no desempenho da indústria de materiais de
construção. Como as importações de materiais aumentaram muito, esse não é
mais um bom termômetro para projetar o PIB.
Tanto é que ontem o Sinduscon-SP divulgou projeções revisadas para o
PIB do setor em 2009. De uma queda de 6%, houve crescimento real de 8,3%
ante 2008. “Em 2009, houve um descolamento entre o PIB e a produção de
materiais”, disse Ana.
Longo prazo. O vice-presidente de Economia do Sinduscon-SP, Eduardo
Zaidan, disse que, como a construção civil é uma atividade que trabalha
com um horizonte de prazos mais longos, as obras contratadas hoje
garantem o crescimento vigoroso do PIB do setor neste ano e no próximo.
“Se houver uma deterioração muito grande da economia, isso poderá afetar
o setor no fim de 2012 e início de 2013″, disse Zaidan. “O crescimento
está garantido por três trimestres.”
Ana Maria detalhou que o crescimento projetado para o ano que vem
será baseado em três pilares: o avanço mais rápido da segunda etapa do
programa habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida, as obras de
infraestrutura para os eventos esportivos de 2014 e 2016 e o crédito
habitacional, que deve continuar em expansão.
Ela projeta para este ano crescimento real de 30% no crédito
habitacional em relação a 2010 e de 30% nominal em 2012. Foi o avanço do
crédito que reduziu a fatia do informalidade no setor. Hoje as empresas
respondem por 65% do PIB da construção.
Notícia de Márcia de Chiara
Fonte: Estadão SP
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